Prosa

” Contemplação ” de Sarah Moustafa

Foto: Erdëm GULTEKIN

Medito sobre as curvas da voluptuosidade, reclinadas na cama de dossel, abraçadas na pacificação do momento.
O palato envolve-se na degustação do cálice rubi, cor de paixão, deleitada nas ondas de prazer.
Arrebatamento da visão transcendente, graciosa emergiste das águas santas da feminilidade.
Das nascentes da Afrodite Perdida.
Momentos lascivos de êxtase salgado na imensidão do sacramento, mais do que sagrado, da imagem de Mulher.
Tormenta da debilidade constituinte do Homem, cujo deslumbre da visão primorosa, instiga, tumultua, provoca…
O ardor de querer beber da contemplação da vaidade.
O chamamento na languidez do olhar mensageiro da intempérie iminente.
A euforia do encontro dos corpos, nas palpitações da imponência martirizante, de cessar a sofreguidão avassaladora da matéria, da luxuria.
Da carne temperada com o sabor voraz da insânia humana.
Contemplo a placidez satisfeita na cama de dossel, contemplo os contornos da criação divinamente luciférica.
Contemplo a maçã que escorregou nos lábios da cobiça.
Contemplo aqui e agora, no bafejar do abominavelmente maldito, tremendamente condenando e tremendamente rendido á submissão do sublime.

by Sarah Moustafa

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