Entrevistas

Entrevista ao Escritor Pedro Jardim

 

Nome: Pedro Jardim
Idade: 36
Localidade: S. Marcos – Sintra
Livros Preferidos:
O Nómada; Anjos e Demónios; Codex, entre outros (muitos).
Música preferida: “November Rain” (Guns and Roses)
Filme preferido: Cidade dos Anjos
Hobbies: Pintar, escrever, cantar
Citação de eleição: “O sonho comanda a vida.” (António Gedeão)
Citação preferida da sua autoria: “Se o talento não for moldado, não passará de um diamante em bruto” (Pedro Jardim)
Autores Preferidos: Fernando Pessoa; Florbela Espanca; Mia Couto; João Tordo; José Luís Peixoto; Margarida Fonseca Santos; Luísa Fortes da Cunha

Pedro Jardim, chefe de Polícia, Sociólogo, escritor, cantor e pintor, homenageia o seu avô materno: Francisco da Silva Jardim, o “Chico das Maravilhas” com o livro ‘Crónicas do Avô Chico – Nostalgia da minha infância no Alentejo’, editado pela Chiado Editora.
O livro atingiu a segunda edição em pouco mais de seis meses e já está a ser distribuído em Portugal e no Brasil. Estivemos á conversa com Pedro Jardim, que nos falou de si, do livro e dos projectos no futuro. Leia a entrevista abaixo.

Radio Voz On: O Pedro é quase o homem dos 7 ofícios? Como consegue gerir o seu tempo para se dedicar ao trabalho e às suas outras ocupações?
Pedro Jardim:
Em primeiro lugar queria agradecer a vocês: Rádio Voz On e a todos os seus colaboradores, a oportunidade que me deram em poder divulgar aos vossos fãs e ouvintes, a minha obra literária: as Crónicas do Avô Chico. Sei que são uma equipa bastante jovem e desejo-vos a todos as maiores felicidades para este vosso projecto.
Respondendo à sua questão: É verdade!, faço de tudo um pouco: sou chefe de polícia; sociólogo; pintor; também canto e sou escrevinhador, diria: projecto a escritor, como costumo dizer. Gosto muito daquilo que faço e não julguem que por ter assim tantas actividades que não me esmero ao máximo em todas elas. Quando se gosta muito daquilo que se faz consegue-se arranjar sempre um pouco de tempo. O relógio não marca 48 horas – por vezes, poderia até marcar – ficaria aliviado, mas não!, teima em andar cada vez mais depressa.
Gosto muito de tudo aquilo que faço, não faço as coisas por fazer: sou um perfeccionista, muito dedicado e luto muito por aquilo que desejo. Devido à minha perseverança, força de vontade e fruto de muito trabalho, hoje sou escritor residente da Chiado Editora.
Consigo fazer de tudo um pouco, conseguindo gerir bem o pouco tempo que tenho disponível.

RVO: Fale-nos um pouco do seu livro. Que crónicas são essas?
P.J.:
As Crónicas do Avô Chico – Nostalgia da minha infância no Alentejo, editado em 2011 pela Chiado Editora, já na sua 2.ª edição é um projecto que nasceu devido ao falecimento do meu avô materno: Francisco da Silva Jardim. São crónicas autobiográficas que falam das minhas aventuras de menino. São episódios reais que aconteceram em terras alentejanas – em Vila Viçosa, conhecida como a Princesa do Alentejo.
Tinha cerca de cinco, seis anos, quando estas minhas vivências aconteceram e que me marcaram de certa forma, daí ter decidido passa-las para o papel. Apesar de serem episódios verídicos, não deixam de estar de mãos dadas com o sonho e com a poesia: com a magia.
Elas são várias – catorze para ser mais exacto – e todas estas crónicas enaltecem o Alentejo e as suas gentes, ao mesmo tempo que falo da minha infância e faço recordar a todos os leitores as tropelias que todos nós um dia vivemos, os jogos tradicionais, os costumes, as tradições, a gastronomia alentejana, etc. São crónicas que no fundo também nos ajudam a perceber que os sentimentos puros e genuínos não se perdem, devem isso sim: ser cultivados, alimentados e preservados.

RVO: O que faz do seu avô uma pessoa tão especial?
P.J.:
De facto o meu avô Chico, como carinhosamente lhe chamava, era realmente uma pessoa muito especial. Tudo nasceu quando era muito novo e ia passar as minhas férias de Verão em Vila Viçosa. Tinha cerca de cinco anos de idade e como vivia na Póvoa de Santo Adrião, quando chegava à altura das férias escolares rumava em direcção ao Alentejo. Foi desde essa altura que tudo começou quando via o meu avô Chico escrever. Com ele descobri o fantástico, o maravilhoso, o incrível… por entre as mãos sábias do meu avô Chico, o “Chico das Maravilhas”, vi que era possível uma vida de sonho, porém ao mesmo tempo cheia de amor e carinho como só os avós sabem dar. O meu avô materno, o “Chico das Maravilhas” como era conhecido, a quem dedico a minha primeira obra literária, as Crónicas do Avô Chico, da Chiado Editora, foi a pessoa que mais me influenciou na altura e que me toldou o gosto pela escrita.
Tinha também algumas facetas: como poeta popular, cantava muito bem e era uma autêntica “enciclopédia” – sabia tudo sobre a História de Portugal e sobre Vila Viçosa. Existe inclusive um vídeo, gravado em 1990, em que o meu avô fez um roteiro de todos os monumentos da Princesa do Alentejo, tal como o José Hermano Saraiva também o fazia. Como ele tantas vezes dizia: “não há palavras” para o descrever – e por isso mesmo era muito especial.

RVO: O Pedro escreve também poesia tendo incluído uma quadra no livro. Pode partilhar essa quadra?
P.J.:
Sim, com todo o gosto. Esta quadra é o mote do meu livro: é com ela que abro as Crónicas do Avô Chico e apesar de simples, diz-me muito e simboliza o quanto o meu avô significava e significa para mim. Aqui vai: Grande homem foste,/ Grande homem pretendo ser,/ Obrigado avô que em teu monte,/ Me ensinaste a crescer. (Pedro Jardim)

RVO: O seu livro trata de um conjunto de memórias não só acerca do seu avô, mas também do lugar onde passou a sua infância, o Alentejo. Quais as principais recordações que tem desse local?
P.J.:
Posso invocar algumas recordações da minha infância, já que continuo a visitar o Alentejo e Vila Viçosa, toda a minha família mora nessa linda vila. A Princesa do Alentejo é uma terra, uma vila muito especial – única – será a palavra mais apropriada. É uma vila de Reis, Rainhas, poetas, escritores, pintores, etc. A terra de Florbela Espanca (poetisa), de Henrique Pousão (pintor). É sem dúvida um pedaço de solo emblemático que nos inspira a todas as horas, a todos os minutos. Lembro-me sobretudo das cores quentes, de sentir o calor alentejano, do campo e o mar de oliveiras estendidas ao Sol, das amoras, dos figos… ui!!!!, tantas coisas, da comida: azeitonas, açorda; migas; ensopado; sopas de tomate – que delícia; e também dos jogos tradicionais que jogava com os meus amigos e com os meus tios: o jogo do pião; do berlinde; da pateira; ao espeta; de fazer e lançar um papagaio de papel…
Recordo-me muito bem do mercado que existia onde hoje é o mercado também (um mercado dos tempos modernos, por assim dizer), mas com bancas de madeiras e balanças com pratos de alumínio. Lembro-me do cheiro a brinhol (farturas); das tardes a brincar na mata municipal, de ir Castelo, ao Palácio e de sair à porta dos meus avós e ter um olival ao lado de casa deles. Como podem perceber é uma vila inigualável.
Recomendo vivamente: visitem Vila Viçosa.

RVO: Em seis meses o livro passou para segunda edição. Sendo o 1º livro que escreve, esperava que as coisas corressem tão bem?
P.J.:
As Crónicas do Avô Chico catapultaram-me para onde eu não esperava, nunca imaginei ser hoje escritor residente da Chiado Editora e de com ele percorrer o país de lés a lés para o dar a conhecer.
Confesso que não esperava nada quando escrevi as Crónicas do Avô Chico, não pensei no depois. É um livro de homenagem e foi com grande dor que o escrevi. Tem um significado bastante forte e é isso que toca as pessoas, o facto de os sentimentos serem verdadeiros e não ficcionados.
Talvez um dia ainda possa ver o meu livro nos quatro cantos do mundo, quem sabe. Basta para isso atingir os 3000 exemplares de vendas e será consequentemente traduzido em mais duas línguas e distribuído vários países. É já internacional, hoje já pode ser encontrado também em algumas livrarias no Brasil, o que me deixa muito feliz. Espero sobretudo que a minha mensagem passe e ainda espero igualmente que este meu livro possa ser recomendado para o PNL (Plano Nacional de Leitura), já que é um livro que transmite muito da nossa cultura e das nossas tradições o que poderá ajudar imenso as crianças e os jovens em idade escolar, para que a nossa cultura se preserve e não se perca: a nossa identidade enquanto nação.

RVO: Projetos futuros?
P.J.:
A minha vida de escritor não fica por aqui, é certo. Agora que comecei, não vou parar mais e tenho muitos projectos em mente que quero ver editados.
Esta minha obra: as Crónicas do Avô Chico, da Chiado Editora, que já está na segunda edição (consegui atingi-la em cerca de seis meses da obra estar no mercado) não será apenas a primeira. Nunca pensei ter o reconhecimento que tenho tido com esta minha singela homenagem ao meu avô materno, como referi, os sítios onde já fui, as entrevistas que já cedi, tem sido um mundo de descoberta para mim. É um grande orgulho e espero que possa despertar o vosso interesse nesta minha obra literária. É apenas o início de algo que quero construir aos poucos.
Estou a ter formação na área da escrita para crianças e estou a aprender imenso com uma pessoa muito especial, a escritora Margarida Fonseca Santos. Brevemente editarei o meu segundo livro das crónicas: Crónicas do Avô Chico – A Senhora da Tapada, pela Chiado Editora que sairá em breve, lá para Outubro deste ano.
Tenho também um projecto infantil: A Gaiola Dourada que espero que me abras mais portas no mundo literário e com a qual quero chegar a outro tipo de leitores: os mais novos.
Estou a escrever dois romances. Já começaram a tomar forma: um romance policial e um juvenil.
E não me fico por aqui, tenho também um projecto de poesia arquitectado, bem como, inúmeros projectos infantis que quero editar. Não os posso editar todos ao mesmo tempo – gostava – mas vou caminhando devagar e tenho de ter tempo de os divulgar, cada obra merece a sua atenção.

RVO: Sente-se um homem realizado?
P.J.:
Atenção! Sou muito ambicioso, quero sempre mais, daí que o termo “realizado” ser um pouco mutável. Sou um sonhador e luto muito por tudo o que desejo, contudo, e por tudo aquilo que já conquistei, considero-me um homem realizado: claro que sim! Tenho tudo aquilo que preciso para ser feliz. Não sou um Saramago, não vou querer ser o melhor, o reconhecimento vem com tudo aquilo que fazemos e da forma como o fazemos, quero sobretudo continuar a fazer aquilo que gosto. Se fizer com que os outros me sigam, me leiam e que gostem: considerarei que atingi a plenitude.

RVO: Como se pode adquirir o seu livro?
P.J.:
O meu livro pode-se adquirir em algumas lojas do comércio tradicional de norte a sul do país, não digo todas porque ainda são algumas; online através dos sites da FNAC; Almedina; Bertrand; Wook e site da Chiado Editora.
Podem também comprá-lo directamente ao autor, eu e daí deixar aqui e agora um convite aos ouvintes da Rádio Voz On: visitem a minha página do facebook, aí poderão acompanhar a minha escrita, os meus projectos solicitar algum exemplar da minha obra com dedicatória personalizada – basta para isso pesquisarem pelo meu nome: Pedro Jardim (escritor). Aí ficarão a conhecer a minha “obra”.
O que pretendo com as minhas obras, é nomeadamente e no futuro, dar o meu melhor para que possa ir mais além e dar um contributo positivo pela nossa cultura e pela nossa língua.

Pode comprar o livro através deste link: http://www.chiadoeditora.com/index.php?page=shop.product_details&category_id=0&flypage=flypage.tpl&product_id=362&option=com_virtuemart&Itemid=1&vmcchk=1

Ou entre em contacto com Pedro Jardim, através do facebook e receberá um exemplar autografado: http://www.facebook.com/pedro.jardim.75

Entrevista à Rádio Voz On

Quinta-feira, 16 de Agosto de 2012

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