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“Adeus, não afastes os teus olhos dos meus” – 7ª Parte do “Diário de Quem Ama…” de Dany Filipa

Adeus, não afastes os teus olhos dos meus…

“Ando de sorriso no rosto, mas com o coração sufocado de dor… de silêncio… de saudade…
Eu tento fingir todos os dias, e tem dias em que até acho que consigo viver sem te ter na minha vida, mas não passa de mais uma ilusão da minha mente… Por mais que tente, por mais que minta a mim mesma, tu vives diariamente em mim… Estás sempre em meu pensamento e eternamente no meu coração…
Culpo-me, culpo-me todos os dias, mas todos, todos, todos, todos, todos, todos, todos os dias, por não te ter… Foi erro meu, eu sei … Não consegui resistir, não consegui aguentar mais, não consegui esperar mais… Sei que errei, sei que te pressionei quando devia ter dado espaço, quando devia, mais que ninguém, ter respeitado a tua vontade, mas a saudade, a preocupação, o querer estar presente, ouvir-te, apoiar-te, como das outras vezes, fez com que perdesse a cabeça… fez com que deitasse fora dois anos de espera, que apesar de por vezes sofridos pela saudade, pela preocupação, foram anos de pura felicidade instalada no rosto, no olhar, no meu coração…
Fui fraca, sou fraca, nunca estive à tua altura… Mereces melhor, sempre mereceste… Queria para ti ser tudo, dar-te o que nunca ninguém te tinha dado, ser o que para ti ninguém tinha sido… Queria fazer-te feliz, para assim, eu também ser feliz…
Tento seguir todos os dias, sem pensar no meu erro fatal e nas tuas últimas palavras que naquele dia escreveste… li por duas vezes a carta, antes de a fazer desaparecer, mas de tudo o que li, só me recordo de teres dito “eras especial, repara no termo, eras”… As lágrimas escorreram, o mundo, naquele momento desabou… Podia, talvez, ter respondido mas sei que não irias ler… Podia ter recorrido a outro alguém para fazer chegar a ti uma mensagem de perdão, compreensão, mas não, não o fiz… Sei que não querias ouvir mais nada, sei que não querias saber mais nada deste ser que rejuvenesceste das trevas, que acarinhaste, que abriste o coração, que depositaste a tua confiança, como nunca antes fizeras com ninguém e que acabou por estragar tudo… Fui a tua paixão, hoje sou a tua desilusão…
O meu corpo, perdeu a essência que tinha, o fogo que me deixava louca de desejo, deixou de existir, hoje é um corpo morto, sem reacção, sem vontade de cavalgar, de sentir prazer… Era o teu corpo… Hoje é um corpo morto, sem utilidade, inútil… como eu!
Vivia á espera de um dia te ter junto a mim, de poder transformar as cores do sorriso e do olhar, num belo e eterno arco-íris, ao teu lado… Hoje, o motivo que me faz sobreviver (viver seria ao teu lado) é porque mereço, mereço todos os dias culpar-me pelo que destrui, mereço todos os dias olhar-me ao espelho e sentir ódio de mim mesma, mereço todos os dias, sofrer mais do que ontem e mais do que amanha, até perder de vez a cabeça…
Apesar de tudo, espero que nunca te esqueças que te amo e sempre te amarei, que te admiro e sempre te admirarei…”
Sofia, escrevera no papel, parte daquilo que sentia. O dia tinha sido desgastante, mas como todos os dias ela pensara nele, pensara na forma como o havia perdido, pensara no erro que cometera, pensara nas suas ultimas palavras, pensara que nada havia a fazer, pensara que perdera, pensara em desistir… Pensara em tudo o que quase teve, em tudo o que perdeu… pensava, chorava, gritava, culpava-se…e mais uma vez, como tantas outras noites, adormeceu com a voz dele na cabeça a dizer o nome dela…
Amanha seria outro dia, igual aos outros que passara…

by Dany Filipa

2 thoughts on ““Adeus, não afastes os teus olhos dos meus” – 7ª Parte do “Diário de Quem Ama…” de Dany Filipa

  1. Não há tribunal, Não existe juíz, não existe o bem e o mal.

    Por vezes em momentos de ódio ou raiva, as palavras , são sabres luminosos, de lazer fundido que cortam e dilaceram sentimentos e expressões, e ilusões?
    Para tudo há um certo gtempo e momengto. Depois a esgtracda transforma-se em duas, Alarga-se perspectivas, matam-se mentiras, escondem-se lágrimas e para quê, e por quê?
    O Amor. o amar se faz sofrer, se faz doêr…então é melhor esquecêr, como um queimado de uma água fria.
    Somos uma parede onde cada experiência é um azulejo, que se acomula, formando um padrão, formando uma aquarela de vida. para a tela do nosso descontentamento.
    Ou do nosso Sofrimento!
    O que li e da forma como li é o traço único dde alguem que além de escrever bem, escreve a sangue e lágrimas e nos deixa sempre desarmados, a nós leitores, que nos julgamos doutores.

    Fantástico este escrever!

  2. Ninguem merece culpar-se assim, desta maneira… Um adeus tem sempre dois culpados quem parte e quem fica… Quem ama confia, é verdade… Mas quem ama, também, perdoa… Porque não consegue não perdoar, porque o orgulho deixa de ser prioridade, porque a desilusão passa e fica a vontade de nos deixarmos iludir, uma vez mais! Ela errou… Ele errou mais, porque fez com q ela errasse, se ele tivesse estado lá, se ele tivesse tido a coragem de se colocar, uma vez q fosse, no lugar dela, saberia e entenderia o motivo q a levou a ceder à impaciência, ou melhor ao desespero… Ela errou… Arrependeu-se… O amor ensinou-lhe a humildade de pedir desculpa com os olhos, com a alma e ele?
    Terá o amor ensinado alguma coisa ou é e sempre foi, menor do q a arrogancia, de quem acha q foi a única vitima numa historia que devia ser partilhada em tudo?
    Sofia tem de se perdoar, porque o amor perdoa tudo…
    Beijinho grande em ti
    (eu te I luv U)
    Inês Dunas

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