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“Geração meninos efeito estufa” de Rosário Palma

 

 

Na minha infância, por sinal uma infância feliz, andávamos de bicicleta, caíamos, arranhávamo-nos, partíamos a cabeça, e não morremos por isso.

Sou mãe, o meu filho partiu sete vezes a cabeça, ainda bem, não surgiu nada de grave,  cresceu saudável, e nem as cicatrizes de alguns dos pontos que levou deixaram marcas visíveis.

Hoje, nas escolas, como até abundam Auxiliares de Acção Educativa, que segundo os pais, podiam as escolas ter uma Auxiliar para tomar conta de cada aluno, escolas estas  que têm, entre 900 a 1200 alunos, pois claro, as escolas, que nem são privadas e o Ministério da Educação injecta verbas exageradas para as mesmas, como é do conhecimento público, os meninos, não podem, partir a cabeça nas brincadeiras que têm, nem um arranhão, com a ameaça constante, destes pais de que vão participar por tudo e por nada, pais estes que, sabendo que a escola fecha às 17 horas e tem uma tolerância de 30 minutos, obrigam as Auxiliares, a quem eles chamam de incompetentes, a ficar, para além do seu horário de trabalho, muito além do mesmo, no portão da escola, em dias de chuva à espera, até ficarem encharcadas “até aos ossos”.

Estes pais, que muitas vezes têm de ser contactados pela escola para saber o que se passa e porque não foram buscar os filhos, que acabam por ser tão vítimas, como a Auxiliar que está, há mais de uma hora  à espera, respondem com a maior das descontracções, que atrasaram-se “um pouco”, o caricato é que são, por norma sempre os mesmos, que se “atrasam um pouco” e os que “ não admitem que o filho parta a cabeça”.

Não é o facto de uma Auxiliar ter de ficar uma ou mais horas, além do seu horário que me indigna, é que são estes, os pais que se atrasam, chamam incompetentes às funcionárias e professoras, os tais que não toleram que os filhos partam a cabeça, quando, por vezes, à 2ª feira estas crianças, até têm marcas negras na cara, supostamente, pela explicação que é dada, foi uma “pequena queda” no escorrega, com os pais por perto, o que por vezes deixa sérias dúvidas, para quem não admite uma pequena “beliscadura” na criança no horário escolar.

Tomara que os meninos que estão no I.P.O. sofressem de uma cabeça partida ou dum pequeno hematoma feito na escola.

Estes pais que fazem destes filhos uns meninos de “estufa” deviam, um dia visitar este Hospital, e ver com os seus próprios olhos esta realidade!

Aqueles “pequenos heróis” não sofrem de cabeças partidas mas lutam, sofrem, aguentam e, ainda conseguem ter esperança!

Estes não são “meninos efeito estufa” são pequenos – grandes heróis, que dão grandes lições de vida e de coragem.

by Rosário Palma

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One thought on ““Geração meninos efeito estufa” de Rosário Palma

  1. Olá rosário, devo dizer que acertaste, há muito menino de estufa por ai, meninos que não podem ser aleijados que á logo trama. Quanto aos do IPO é uma verdade que a maior luta deles, contra a doença e outras que tais nos devia fazer pensar. Falo por mim que apesar de ter 18 anos agora sei que fui um pouco protegido a mais, mais do lado materno que paterno mas vai dar ao mesmo. Acho que a vida sem partir uma perna não é vida e eu desde pequeno sempre adorei cair, já não me aleijo seriamente á algum tempo mas significa que vivemos.

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