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“Já não sei quem és” de Debora Ferreira

 

Já não sei quem és.
Mas houve um tempo em que eras o meu livro predilecto.

E eu li-a, li-a.

 Folheando página a página.

Saboreando cada palavra, cada capítulo.

E o tempo passava por mim – por nós – mas esse era

o tempo em que não havia qualquer sinal de tempo.

E agora o tempo passa por mim – por nós –

e consome todo o tempo que outrora existia entre nós.

Já não sei quem és.

 Mas tenho a certeza que houve um tempo em que

sussurravas ao meu ouvido e dizias que eu era tua.

E eu respondia te no tempo em que havia tempo que tu eras meu.

Mas agora já não há mais tempo para sussurros,

já não há mais tempo para resposta.

E agora o tempo só fala por nós entre silêncios mudos.

Já não sei quem és.

Mas tenho a impressão que houve um tempo em que soube.

E agora pergunto ao tempo em que tempo foi isso.

E eis que o tempo chegou…

Adeus. Adeus que agora já não há mais tempo para ter tempo.

Não há sequer mais tempo para perder tempo.

E eu já te disse, já não sei quem és.

Adeus, adeus”

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