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“olha ali o futuro aqui ” de Luiz Milhafre

Olá cá estou eu
a brisa contínua desodorizante que lhe amanhece os sovacos
à espera de um anúncio publicitário que me salve a vida
sou uma querela a espumar contencioso entre fígado e boca
sem saber quem ganha
dolorosamente.
olha os meus olhos mocados e verás em que tristeza vives
quero casar com a economista boa que fala na televisão
mais conta menos gaita diz-me e olha para mim
e a voz sumiu-se-me na comoção.
aqui está a anaconda a digerir o cabrito com cara de parvo de cidade encaixotada
com um arroto a brindar a tua felicidade de mau hálito em ceboladas de orgulho.
eu não durmo porque não gosto de viver
sabendo que enquanto há vida há morte de parvos que teimam em morrer de tão parvos
e eu aqui com um desfribilhador de rugas nas mãos
a contestar uma factura da luz que escreveu do contador uma pipa de volts mal gastos.
queres que te diga:
vai para a p**** que te p***** pois só podes regressar se fores dono convicto de a contestar.
não te suspendas por minha causa porque a causa não tem corpo
eu quero uma economista e os teus lábios a dizerem calma na gaita com beijos carnívoros
que me deixam nervoso nos teus lábios gretados abaixo da anca e sem dinheiro para o
dentista.
o outro diz que o amor
não é suficiente, não chega, é escasso, pinga-te no coração literário com óculos graduados
eu digo que levo um tabefe de vez em quando
o amor que te tenho chegará de tão cheio, será tão vasto, porá isso e mais alguma coisa de tão
vago
a escorrer de gordura boa nas veias e nas análises de mim no teu braço em jejum
o que eu quero é uma capacidade de génio para entender a burrice que nos consome na
ponta de um cigarro que te vai dar uma doença admirável no fim dos anos
daqui a nada a brilhar na calvície.
Psssss, tu aí sabes que tempo te falta até conheceres o vizinho que te vai salvar sem nome e sem querer
sabes quanto custa morar assim sabendo que és o melhor de todos a abrir a caixa do correio
do teu prédio moral de subúrbio congénito mal formado?
Sabes ao menos quantas frases tem a melhor data do teu calendário?
olha aqui o futuro a esperar-me na vida que julgo ter no tempo e no corpo e na fórmula
tantas pontes em tantos rios edifícios de altura linhas de comboio e comprimidos de
sustento garantidos por bulas de céu enublado
olha aqui o futuro a transbordar de sangue num alguidar de plateia que não pensa bater
palmas na glória a ti senhor
mas que m****, que saudades, na janela um pinheiro manso e o transplante não vem .

By Luiz Milhafre

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