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“O Filho” por Luiz Milhafre

 

que recanto de chão és tu para me salvar
contigo nos braços?
nunca soube de nenhum em que tocado no piso
vá e fique
e fique contigo num palco de mim
poderoso de me seres.
se me és nos braços cá serás à partida que a chegada vem longe
tremo nas braçadas sem ar
e um olho clínico a assomar-se de lágrima
que me quer ser e eu não sei que sou sequer
um amor de amar para além de um corpo.
sei de muita coisa que não via assim porque eu cá andava
assim assim
via e não olhava e sem olho clínico na lágrima
sacudia o dia sem que fosse de novo morte de dia
no sangue do sangue
porque há sangue que corre mais além
e andava por aí perto sem se me ver.
penso que sim
cada centímetro a mais de vida em ti
menos um metro de morte em mim
e não assim assim
um toque de carne que explode um pequeno átomo
do mundo.
o assombro é grave e grato e já sei que amor de amar
para cá
para lá de um corpo
se enche num sopro rápido
num recanto de chão que é afinal um palco de ti
contigo nos braços
tão salvo de amor aqui.

 

by Luiz Milhafre

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