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“Alma Doente” de Casimiro Teixeira

Tenho sonhos doentes, que só a alma sente,

anseios pisados, que por serem meus, assim os aturo.

A medo avanço com o passos virados ao futuro,

ainda mal refeito de saudades do presente.

E o mistério que me enfeita?

Sei lá eu de que mistérios se faz a gente.

Do que conheço de mim, uma nesga se aproveita.

O resto entrego-o ao que a vossa alma sente.

Dai-me pois o vosso olhar atento,

que nas veias do que escrevo ali está a minha afronta.

Mas se me pedires que minta, isso eu não intento,

pois de tristes fados já tenho mais que a minha conta.

Cismo já farto de velar minha alma doente,

que ideia fareis vós de quem assim lamenta?

Talvez o mistério seja maior para quem mente,

do que pra quem nem sequer o tenta.

E quem me ajuda neste anseio que me consome o dia?

Que raio de troca é esta que não me traz vista de cura?

Eu escrevo e em vós pressinto monotonia,

e o terror do desaire, esse, perdura!

Deixem-me os sonhos ao menos, que mais não vos peço.

prisioneiro desta maleita, daqui já não escapo com vida.

e se assim tiver de ser, será porque o mereço,

pois a doentes só a desgraça lhes é consentida.

by Casimiro Teixeira.

2011

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