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“Esse Mar” de Rosário Palma

Sentada à beira-mar, sinto a areia molhada.

Disperso-me olhando a linha do horizonte.

Penso, por momentos, o que existe para lá desta linha.

É como se só soubéssemos o que existe até aonde a nossa vista alcança.

Como se aquela linha fosse como o nosso futuro, apenas sabemos do passado e do presente, o futuro, esse será sempre uma incógnita que não conseguimos prever.

Assim é a linha do horizonte, tão misteriosa, como vida.

Mas ela lá está, para a olharmos, ver o nascer e o pôr-do-sol.

E neste vaivém de cada onda revemos a nossa vida.

Tal com o mar, na sua beleza, também a nossa vida tem uns dias mais agitados e outros mais calmos.

Sempre ouvi dizer que quando o mar está agitado, não é zangado que está mas sim a chorar.

Porque chora o mar? O que o atormenta?

A falta de carinho, a maldade e falta de respeito por ele?

Assim, a pensar em tudo isto, perco-me na sua beleza, fico horas a olhá-lo deslumbrada.

Ele canta e o seu som transporta-me para longe.

Quase tão longe como a sua imensidão.

Onde começa e onde termina?

Sinto na cara a brisa marítima e o cheiro a sal.

Sem resistir à sua tentação, como se ele chamasse por mim, deixo-me ir.

Lentamente vou avançando por ele dentro.

Tiro a roupa e mergulho, numa sensação de liberdade única.

                                                                                        

By  Rosário Palma

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