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“A Vida Sem Óculos Escuros” de Rosário Palma

Saí para a rua numa noite escura e fria.

Vi tanta coisa que o dia, na sua claridade esconde.

Vi a Luxúria, envolta no seu “Vison” e de saltos altos.

Vi a Gula na sua obesidade mórbida de quem nunca está satisfeito.

Vi a Ira daqueles que não aceitam a vida como é e estão sempre mal com o mundo.

Vi a Inveja de quem já tudo tem mas na sua mesquinhez não aceita quem quase nada tem.

Vi a Arrogância a falar num tom de voz sonante para que todos lhe prestassem atenção.

Vi a Preguiça dos que nada fazem, apenas bocejam e se acomodam.

Vi a Avareza de quem olha com desprezo o mendigo que lhes estende a mão pedindo um pouco de comida.

Vi a prostituta, naquela esquina escura, a tremer de frio mas lá permanecia à espera que alguém a bordasse, para lhe pagar umas horas de sexo.

Vi o puto descalço que teimava em tocar a sua concertina, em notas desafinadas, na espera da moeda que alguém atirasse aos seus pés.

Vi o embriagado que deambulava pela rua, em ziguezague, talvez para esquecer o que não queria lembrar.

Vi o homem que apressadamente corria, sem saber se nessa correria, era a pressa de chegar ou a vontade de partir.

Vi o que não imaginava ver. Mas vi a realidade mais clara, nesta noite escura, do que durante o dia, sob os óculos de sol que colocamos para não ver a realidade da vida, tal como ela é.

Vi tanto! Vi demais! Vi os Sete Pecados Mortais.

                                                                             by Rosário Palma

 

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