Sem categoria

“A Gaivota que deixou de voar…” de Dany Filipa

 

Era uma vez uma gaivota…
Era como tantas outras… Adorava voar, voar, voar…
Era forte, saudável e aventureira… Era considerada por todas as outras gaivotas a mais valente…
Mas um dia algo correu mal… como todos os dias fazia, entrava em mares ou rios a dentro e “pescava” seu alimento… nesse dia, não reparou numa das armadilhas que os pescadores tinham montado para a pesca da sardinha.
A gaivota velozmente voava do céu até à água, até que fica presa entre umas redes de pesca. Rapidamente apercebendo-se do que lhe acabara de acontecer tenta libertar-se, mas acabava, a cada movimento por se prender ainda mais…
“Puxem as redes” – grita um pescador. Ao ouvir isto, a gaivota mais aflita fica, pois não conseguia libertar-se e sempre tivera imenso medo em ser apanhada por um pescador… sabia lá o que lhe poderiam fazer, e suas gaivotas compatriotas sempre lhe disseram para nunca se aproximar de um pescador, pois poderia ser capturada e aprisionada numa gaiola, ou então faziam com ela um churrasco…. Ela sempre se interrogava, se as gaivotas não embelezavam o mar? Porque iria um pescador fazer-lhe mal, quando os pescadores amavam o mar e sua beleza envolvente?!

As redes pelos pescadores eram puxadas para a superfície, a gaivota só pensara em ser ali o seu fim de vida.
– Olhem uma gaivota… está ferida! – Declama um pescador de meia-idade que cuidadosamente a tira da rede…
Ao sentir-se solta da rede, a gaivota tenta voar rapidamente, antes que a aprisionassem numa gaiola, mas ao tentar bater as asas, não conseguiu voar… Uma das asas estava gravemente ferida e doía-lhe imenso… Seria impossível voar… Contudo, mais amedrontada ficava…
– Não tenhas medo, eu vou curar-te a ferida – diz o pescador, passando suas mãos carinhosamente na ave… Levou-a para casa, tratou-lhe da ferida, deu lhe comida e depois colocou-a na rua
– Agora que estas tratada, vai lá aos teus voos, naufragar em rios e mares, que ai sim, é que é o teu lugar… – após estas palavras, o pescador beija a gaivota nas suas penas e segue até ao seu barco…
A gaivota, já mais calma, uma vez mais tenta voar… o que era um fracasso a cada tentativa…

Desaparecida há umas horas, a família e amigos da gaivota temiam o pior, mas um bando de gaivotas conhecidas acabava por encontra-la. Ela conta sua história e tristemente em cada tentativa não conseguia voar…a asa doía-lhe e isso limitava-lhe o movimento…
– Sem conseguir voar como irei eu acompanhar-vos em cada voo? Em cada mudança de rio, mar…? – Interrogava-se a si mesma e ás gaivotas que a rodeavam…
– Já não sou mais uma gaivota, forte, aventureira… – tristemente desabafava a gaivota.
– Certamente estes são os teus últimos momentos de vida… O que fará uma gaivota sem conseguir voar? – interroga-lhe uma gaivota que sempre tivera inveja da valentia dela, então não podia deixar passar este momento sem a ‘espicaçar’ e amedronta-la ainda mais…
Ao ouvir isto a gaivota ferida despede-se das outras aves, não se achava digna, nem mais valente, não se achava mais gaivota… não havia maneira de conseguir voltar a voar…
Após a despedida as gaivotas levantam voou e deixam para trás uma companheira que sempre foi aventureira, amiga, forte… Não lhes viam futuro sem ela conseguir voar, achavam que iria acabar seus dias capturada por um pescador que a mata-se…

A gaivota ferida, com fortes dores ainda na asa, encostou-se a um canto de uma casa. Medrosa e dorida, ali permanecera horas… ali estava, à espera… da morte, nada mais pensava… Até que o pescador que a capturara das redes, regressa do mar e ao ver a gaivota deitada a um canto junto de sua casa, aproxima-se, pega nela e leva-a para casa.
Neste momento a gaivota só pensara que estaria perto o seu final… mas, o pescador nunca lhe fizera mal. Mais uma vez tratou-lhe a ferida, deu-lhe comida e deixava-a descansar, junto a uma janela de sua casa que tinha vista para o mar… sabia ele, que aquele gaivota decerto jamais voltaria a voar, mas mesmo assim, tinha imenso ternura por ela, não estava disposto a abandonar aquele gaivota, a deixa-la morrer…

Durante dias e dias o pescador sempre dela tratara, como se fosse um animal de estimação, a gaivota já não tinha medo do pescador, tinha passado a adora-lo, afinal ele acreditara nela, ele gostava dela…
Os tempos foram passando, a gaivota não mais voltou a voar, mas mesmo assim era feliz… passou a ir com o pescador para o mar, ele levava-a no seu ombro, ou então ela seguia-lhe os passos a andar. Levava-a para o barco e iam para alto-mar pescar…

A Gaivota, não mais voltou a voar, mas mesmo assim não deixou de ser feliz… Encontrou a felicidade de maneira diferente…

 

 

 

by Texto e Foto Dany Filipa

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s