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“O Sonho de César” de Pedro Lemos

 

César Sousa tinha um sonho, igual a tantos outros adolescentes – o de ser jogador de futebol. Hoje já um pouco mais crescido, o sonho é um pouco diferente mas o lema de vida contínua o mesmo: “Football- my life, my dream, my way“. Desde pequeno foi um apaixonado por todo o envolvia o desporto-rei. Extremamente influenciado, pelo avô, este também um grande entusiasta do “Beautiful Game”, levava-o todos os domingos ao antigo Estádio das Antas, para ver jogar o Futebol Clube do Porto, com o intuito de lhe relevar a emoção do futebol. Como seria de esperar, César, começa a sonhar em ser jogador ou treinador de futebol. Para tal, o seu avô, decide que quando o filho fizesse 6 anos o inscrevia no clube da terra, “Clube Desportivo Trofense”. Dito e feito. Corria o ano de 1990 e César, entra para a equipa de Escolinhas do Trofense. Os primeiros dias foram de total entusiasmo, “Bolinha”, como era chamado pelos colegas de equipa devido a algum excesso de peso, não pensava nem falava em mais nada senão o futebol. Aos fins-de-semana levantam-se pelas seis, sete da manhã, pois era dia de jogo e nesses dias César não conseguia quase pregar olho. O tempo foi passando, e César foi cada vez ganhando mais gosto pelo futebol. A época estava-lhe a correr de feição. Em 12 jogos, apenas não marcara em dois. Um feito que começava a chamar à atenção nos clubes da zona. César, não ligava e continuava a fazer o que mais gostava – jogar Futebol. Na escola, continuava a passar ano a pós ano, e foi quando, justamente, frequentava o 9º ano que aconteceu a maior desgraça da vida de César.

Um acidente retirou-lhe parcialmente a perna direita. Estava a dar “toques” numa bola, à berma da estrada quando a bola lhe escapou e foi parar à estrada. César corre imediatamente para a estrada sem olhar a quem. É pois nesta altura que um carro passa por cima da perna de César. Gera-se um alarido geral à volta de César que desmaia com a queda. Conta-se que desmaiou com a bola nas mãos, destino, chamo-lhe eu. Acordou passado dois dias numa cama do Hospital Santo António, todo enrolado em gesso. A sua primeira preocupação foi perguntar à enfermeira se poderia continuar a jogar futebol. Esta responde de forma carinhosa não querendo assustar o pequeno – “ Estás vivo e isso é o que interessa”.. César não fica conformado e tenta levantar-se. Não consegue. Um misto de sentimentos invade o jovem jogador, mas todos eles se resumem a tristeza. Foram duas longas semanas passadas no Hospital, onde apenas Sousa apenas poderia assistir a futebol. Foi pois num destes jogos que ele assistia que começou a notar nas tácticas das equipas. Táctica não era um conceito completamente desconhecido para César mas nunca tinha parado para pensar e analisar realmente o que isso é. Era um Chelsea – Liverpool, derby em Inglaterra. As equipas disponham-se as duas num 4-2-3-1, com 2 médios mais defensivos e 3 mais ofensivos. “Interessante como os extremos vêm ajudar na defesa”- pensou César. O certo é que isto deu para o “Bolinha” esquecer todos os problemas com que estava naquele momento.

No último dia, a ânsia era muita. O exame final ia ser feito e César, tal como nos dias de jogo, não conseguiu quase pregar olho. Tudo correu como previsto. O resultado porém foi o temível e mais esperado. César tinha que abandonar o Futebol, pelo menos o jogado. Foi como se o mundo tivesse caído todo em cima dele. Na altura em que este começava a jogar regularmente e a marcar também, um acidente trágico tira-lhe a hipótese de concretizar o seu maior sonho. Os primeiros tempos foram muito duros. Era estranho para César depois da escola ir para casa, sem passar pelo campo para treinar. Porém este tinha um novo hooby – Football Manager. A jogar este jogo, começou a aprofundar os seus conhecimentos tácticos. Jogava, experimentava e ganhava. Tinha sempre a táctica ideal debaixo da “manga”. Um dia enquanto jogava lembrou-se de no dia seguinte fazer uma visita aos seus ex-colegas de equipa. No dia seguinte quando saiu da escola não foi directo a casa. Passou pelo campo para matar saudades destes e do treinador. Ficou a falar um pouco com o treinador. A certa este pergunta-lhe: “Então e que tens feito?”. César responde: “ Tenho jogado Football Manager, estudo tácticas e jogadores também”. “Ai é? Então amanhã passa por cá, pode ser que tenha uma surpresa para ti!”- finalizou o treinador António. “Bolinha” ficou ansioso que o dia seguinte chegasse.

Chegou o dia e César encaminhava-se para o campo, quando passa por aquela malfadada estrada onde o seu sonho foi arruinado. Parou e pensou- “Foi aqui o principio do fim”. Seguiu, de cabeça baixa, rumo ao campo. Ao chegar encontrou logo o treinador à sua espera. Logo que o viu cumprimentou-o, e começou a falar. “Como sabes, chamem-te aqui hoje, para te dar uma oportunidade. Tenho visto, que te começas a interessar pelo futebol táctico, que tal integrares a nossa equipa técnica e orientares alguns treinos?”. César nem pensou duas vezes. “Aceito! Muito Obrigado por esta oportunidade!”. Seguiu para casa todo alegre César. Mal chegou enfiou-se no quarto a estudar a equipa. Chegou à conclusão que a melhor táctica era o 4-4-2. O resto de época correu muito bem. Só esteve 4 jogos na equipa técnica, César, mas chegou para o convencer que era isto que ele queria para o futuro. Continuou na equipa técnica dos Juvenis do Trofense por mais dois anos. Na segunda época foi durante meio ano ele a orientar os treinos da equipa. Os jogadores descrevem-no como o “Próximo José Mourinho”. Já conta com um título no palmarés. Vencedor do campeonato nacional de Juvenis na época 2000/2001. 17 eram os anos que César tinha e já era o menino bonito da Trofa. Na escola, frequenta o 12º ano do curso de desporto. Quer seguir Treino Desportivo, obviamente.

O resto da história resume-se a trabalho. Está actualmente o tirar o curso nível IV. Enquanto isso integra a equipa técnica dos seniores do Trofense. É a grande promessa do futebol português a nível táctico. “Há males que vêm por bem” e este foi um deles. César através, de uma amargura da vida descobriu a sua real potencialidade e vocação.

 

by Pedro Lemos

 

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