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“23:14 ” de José Mosteias

 

Aqui sentado, na minha gasta cadeira, tento quebrar a barreira, que me impede de ser criativo e produtivo.

Procuro no interior do meu ser, despertar sentimentos que abafei durante muito tempo. Tenho medo do que esses sentimentos possam provocar. Tento convencer-me que isto será o acordar do gigante adormecido e que daqui por diante, apesar do que se diz e escreve, todo a minha vida irá melhorar.

Como banda sonora tenho Placebo – Without you I’m nothing, que me faz sentir a saudade de tempos idos, nos quais me perdi. Tenho de me libertar deste vício que me prende e subjuga. A noite traz a calma e a paz necessárias para tal.

Poder agradecer por tudo e todos que tenho e que me rodeiam. “Só cá está, quem faz falta.” – Já dizia o meu avô. Como tal agradeço aquilo que sou, o que tenho e o que me rodeia. A introspecção ajuda-nos a melhorar o que e quem somos. Mas essa introspecção magoa-nos. Como seres frágeis e débeis que somos, evitamos essa dor. Creio que terá sido esse medo de sofrer que fez com que eu me anulasse durante tanto tempo. Mas algo em mim fez com essa anulação se auto-anulasse. Erro por redundância cíclica. Nem sempre a vida tem de ser uma espiral negativa, nem eu tenho de ser autodestrutivo. Tenho de ser autoconstrutivo.

 

A minha vida começou muito antes de eu nascer. Carrego comigo lembranças de uma vida passada numa outra era. Muito mais dura e longínqua que a actual. Talvez por isso, ou pelo medo da rotulagem, sempre me afastei e até mesmo lutei contra o decorrer normal da minha vida. O que fez com que eu me isolasse de tudo o que estava lá fora. Agorafobia é o que melhor descreve o meu estado. O medo, o pânico do exterior. A sensação de faltar a rede de segurança debaixo do trapézio.

Tudo isso me fez ficar fechado para o mundo. Mas agora vejo-me confrontado com os meus fantasmas e tenho a derradeira batalha à minha frente. Recordo cenas de filmes como “The Naked Lunch” e “Lost Highway”. Sobrevivo agarrado a uma falta de esperança. A um sonho de um falso profeta. Sinto Agora que tudo irá para os seus devidos lugares. Tenho Agora um novo fôlego para lutar contra a bipolaridade e a esquizofrenia que tem sido a minha vida. Continuo preso na rotunda sem conseguir escolher a saída. Pois não interessa qual a direcção, mas sim e apenas sair da rotunda. As saídas aqui tão perto e eu sem conseguir virar o volante para prosseguir a viagem. E como eu, milhares de seres por todo o mundo aqui se encontram nesta rotunda gigante cheia de monstros, fantasmas, pesadelos, ódios, invejas e demais sentimentos em nós projectados. A pressão constante empurra-nos baixo. Prende-nos no fundo e abafa a nossa voz. Amarra-nos cada vez mais na solidão.

Um milhão de pessoas à minha volta e eu continuo sozinho!

 

 

by José Mosteias

 

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