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“Conheci a minha Imaginação” de Juliana Sá

Candyland

 

 

Não sei se vão acreditar em mim, mas certo dia acordei e senti algo diferente no meu quarto.

Parecia que o meu beliche me tentava acordar, e nem eu sei como, que as janelas queriam-se abrir para a luz do dia entrar, que o guarda-fatos queria-se abrir mas, uma coisa foi a que me chamou mais a atenção, parecia que uma voz de fundo me chamava aflita.

Eu, sobressaltada e assustada levantei-me e tentei descobrir o que se passava. Mas cada vez a voz era mais alta e parecia estar mais aflita.

Até que quando dou um passo, o chão do meu quarto começa a desmontar-se e eu caio num sítio que não conhecia, um sítio mágico, parecia estar num conto de fadas, mas por outro lado a voz cada vez parecia estar mais perto de mim, e cada vez mais aflita.

De repente, um grande movimento se instala naquela “cidadezinha” debaixo do meu quarto.

Só pensava: Que se está a passar? O meu quarto, com uma cidade? Mas nem essas questões interferiram na minha curiosidade de explorar aquele lugar mágico.

Parecia, que a voz se tinha calado e para a substituir uma alegre música estava no ar.

À minha frente tinha casas que pareciam ser construídas de algodão doce, e o chão era formado por chocolate. O céu era cor-de-rosa e no ar havia um cheiro a morango. Por todo o lado havia pessoas vestidas de cores vivas e todas elas muito simpáticas.

Até, que eu ganho a ousadia de perguntar a uma senhora que aparentava estar na casa dos 30 anos onde estava, o nome daquele lugar, e como tinha lá chegado.

A senhora, de imediato me responde:

– Sabes minha querida, todos que aqui estamos, não o sabemos. Todos nós caímos aqui quando acordamos, mas aqui a vida é melhor e não temos pessoas a dizerem-nos o que temos ou não de fazer. Não existem leis, nem pessoas superiores a outras. Somos todos iguais, todos valemos o mesmo e nenhum de nós quer regressar ao nosso verdadeiro sítio.

– Mas e a minha família? Alguém conseguiu regressar? – Perguntei muito rapidamente.

– Se alguém conseguiu regressar, não se sabe.

– Obrigada. – Disse eu perplexa e admirada.

Caminhei por uma ruela feita de chocolate (como todas as ruas) até chegar a uma casa que se destacava de todas as outras. Tinha um letreiro a dizer: Lugar que só tu vês.

Eu, como já entenderam que sou muito curiosa, entrei e perguntei a um senhor diferente de todos os outros:

– Podia-me ajudar? Não sei como, nem porquê mas caí aqui quando simplesmente estava a acordar.

– Bom-dia! Só tu me estás a ver, eu sou a tua imaginação. Lembras-te daquela voz aflita?

– Sim, claro! Não estou a entender nada!

– Calma. Não quero ser adivinha, nem nada do género, mas … A tua professora de português mandou-te escrever um poema, certo?

– Sim, mas eu nunca conseguirei fazê-lo … Nunca fui boa nessa área, quer dizer em nenhuma. Sou a pior aluna da turma, todos gozam comigo porque não tenho imaginação.

– Tu e todos estão enganados! Tu tens imaginação. E só te trouxe até aqui para te provar que a tens. Vais voltar à tua terra, e vais dizer a todos o que viste aqui.

– Mas ninguém vai acreditar em mim… Quem acreditaria que eu estive numa cidade debaixo do meu quarto construída de chocolate, morango e algodão doce?

– Não te preocupes. Vais escrever um texto e vais contar tudo o que aqui viste e se ninguém acreditar não te preocupes… Vais tu acreditar que isto aconteceu, que é realidade!
– Mas …

Quando ia dizer que não gosto de escrever, estava na minha cama a acordar. O chão estava normal, e as janelas intactas e o guarda-fatos com as suas portas fechadas como sempre.

Será que aquilo que aquilo tinha mesmo acontecido? Sim, claro! Eu vivi aquilo, eu falei com pessoas… Eu conheci a minha imaginação, eu lembro -me!

Nem me dei ao trabalho de contar às pessoas, e peguei num papel e numa caneta e escrevi um texto com tudo o que vivi e entreguei à professora de português, e ela recebeu o meu papel e vi que ela não estava muito interessada com as meras palavras que tinha escrito.

No dia seguinte, ela veio ter comigo surpreendida e a perguntar-me se tinha sido eu… Eu disse que sim, e confesso que fiquei ressentida por saber que ela duvidava das minhas capacidades.

Ela disse que estava muito bom, e para não desistir da ideia de escrever.

Se a aventura na “cidadezinha debaixo do meu quarto” aconteceu ou não, não sei… Mas creio que sim, mas o certo é que a partir daí escrevi, poemas, textos cada vez melhores, cheios de imaginação e criatividade.

Nunca desliguem a imaginação!

 

 

By Juliana Sá

 

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