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“Cinzas” de Suéllen Caroline

 

 

Eu vejo as pessoas, com suas mentes abertas e prontas para falar. Mas não é o momento, e nenhuma daquelas criaturas, é a pessoa exata.
Então, eu guardo minhas palavras para mim mesma. Apenas observo os rostos, os olhos, as intenções, as frases escritas.
Na maior parte do tempo, o que eu vejo são como cinzas de um fogo morto.
Eu prossigo lendo, vendo, e procurando algo que não consigo dizer o que é, só posso afirmar que não encontro.
Todas as fotos são iguais, as conversas…insípidas.
Se eu não conhecesse a mim mesma, acusaria uma falta de interesse.

Contudo, me conheço. Vivo cada pedaço incompreensível de mim, e embora não possa explicar-me, eu me aceito.
Mantenho minha busca com conformidade e aceitação, do mesmo modo como procedo com meu próprio ser.
A única coisa que recuso e repudio, é a insistência de já ter encontrado o que procuro.
Mentiria, enganaria, fingiria, e até mesmo aprenderia a arte da falsidade, se com isso conseguisse manter minha promessa.
Eu continuarei vendo os rostos, criando expectativas vãs, plantando sentimentos irreais, até que um dia,
Em meio ás cinzas, eu possa encontrar faíscas sobreviventes da noite anterior.

 

 

by Suéllen Caroline

 

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