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“Cavalgada” de Sara Santos


 

Tentei achar-me no silêncio do vazio deste luar inconsciente desta vida complicada, cavalguei a noite toda tentanto te encontrar.
Segui um rumo desconhecido, virei na primeira à esquerda e segui, voltei para trás, e o rumo foi outro, virei na segunda à direita, e andei, andei e nada encontrei. Não te vi, nem o teu cheiro senti. Voltei ao primeiro rumo, e então, a ti eu não vi, novamente.
Cavalgando que nem uma louca, já morta de cansaço eu andei e andei, corri, rastejei, observei, e nada, nem um sinal do teu corpo, nem uma pegada tua.
Tomamos rumos diferentes das nossas vidas, as ruas já não são as mesmas, as tuas pegadas já não são iguais, o teu cheiro já não é o mesmo, e o teu corpo já tem, de certo, um cheiro que não o meu, nem o teu, nem o conseguirei reconhecer mais.
Fui cavalgando para o meu novo rumo, o meu silêncio, e o meu luar, querendo achar o lugar para me encontrar, sem ti, longe de ti, para mim.
Irei continuar a prenunciar este tema, o amor? Irei continuar a relembrar que gosto de ti? Irei eu, sem pensar, lembrar-me de ti a cada instante? Irei?
Só desejei ( para não dizer que desejo ) que fosses, sempre, o primeiro que via todas as manhãs e o ultimo que me tocaria no final de cada anoitecer .
Eu poderia tentar voar com uma só asa, andar sem ter pés, nadar sem barbatanas, rastejar sem estar protegida, poderia por ti fazer tudo, e talvez, eu até conseguisse com toda esta força, mas não, mesmo não estando cega eu não vejo o teu sorriso, mesmo ainda tendo tacto eu não consigo tocar-te nunca mais e o meu olfato já não te cheira, e o meu paladar não saboreia mais o teu, jamais.
Percorri tudo, enganaste quando me deste um sorriso, e eu pensei ser mais que um sorriso, uma maneira mais simpática de me falar, mas para nada variar continuei sem de ti nada ter.
Estou cada vez mais louca por ti, só te sei amar.
Eu fazia tudo, só para te ver feliz.
Até ter força para a minha cavalgação, eu continuo.
Poderia procurar-te no amor de outro homem, mas nenhum homem tem o teu cheiro, o teu sabor, as tuas palvras, ninguém tem o teu jeito de olhar, nem parecido que seja, e ninguém conseguirá o que tu conseguiste, conseguirá que me apaixone como estou apaixonda por ti.
Dá um sinal de ti, pelo menos deixa-me ouvir a tua voz numa mensagem na caixa postal.
No dia do nosso aniversário, deitamos tudo a perder, deixamos a raiva momentanea falar bem mais alto, e mão soubemos controlar o que de mau estavamos a sentir, dias depois eu só consigo pedir o teu carinho, desespero sem te ver, Eu já não sou mais Eu.
Os meus sonhos e a minha alma levam-me mais longe, trazem-me as lembranças de ti.
Se isto acontecer, eu continuarei a cavalgar por ti.
A rua está cheia das minhas lágrimas, o meu quarto já não tem espaço para esta enorme dor, o meu sorriso já não consegue manter tal fingimento.
Já não vivo com tanto desespero.

 

By Sara Santos

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