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“A Boneca” de Cátia Inês (3º Capítulo)

 

 

Bem se calhar eu devia ter-me dirigido a um psicólogo, afinal tudo aquilo era muito estranho, mas não o fiz e ao invés disso fiquei a falar com a minha “velha amiga” o dia todo. Falamos de como nos divertia-mos juntas, quando eu era mais pequena e ela contou-me muitas coisas que eu nunca imaginei que fossem possíveis e sem mais nem menos lembrei-me daquela rapariguinha que num dia de muita preocupação me contou que os objectos não são seres inanimados. Ela tinha razão, e eu ignorei-a por ela ser pequena.

A partir desse dia a minha vida mudou! A partir desse dia estudava, e continuava a tirar boas notas, mas não me preocupava tanto com o que ía acontecer… esqueci-me dos problemas. Todos os dias, quando chegava a casa ía a correr para o quarto para falar com a minha Barbie. A partir desse dia senti-me criança outra vez e comecei a ver as coisas de uma prespectiva diferente.

Quem diria que uma boneca tinha tanto para me ensinar e poderia mudar a minha vida drasticamente ? Se eu contasse o meu segredo a alguém ainda pensavam que eu estava maluca, como eu tinha pensado! Mas eu não estava a mentir, tudo aquilo era real! Mas mesmo assim, eu ainda tinha uma dúvida. Porque é que a Barbie só falava comigo? Então um dia perguntei-lhe :

– Porque só falas comigo? Porque é que quando alguém entra no meu quarto tu ficas imóvel e não dizes uma palavra? Porque só eu sei o teu segredo?

Ela olhou para mim com os seus olhos azuis pequeninos e disse-me:

– Achas que só tu é que sabes o nosso segredo?

– Nosso?

– Sim nosso, ou pensas que só eu é que falo? Todos os objectos falam, mas só alguns como eu, perdem o medo das pessoas. Se começares a prestar atenção verás que muita mais gente sabe que os objectos falam. Mas pensam como tu, pensam que se contarem ninguém irá acreditar em vocês. Tens de ficar atenta e irás ver que não és a única a saber o segredo.

Eu fiz o que a Vanessa disse (a minha Barbie gostou muito do nome Vanessa, por isso comecei a tratá-la assim) e comecei a prestar mais atenção ás pessoas e aos poucos e poucos elas foram aparecendo.

Ou era uma rapariga que trazia um urso de peluche escondido na mochila, ou um rapaz que trazia um Action Man no saco desportivo, ou um velhinho que ainda guardava o seu pião de infância, ou apenas uma criança, como a Rita, que dizia “disparates” aos adultos que faziam como eu tinha feito. Sorriam-lhe e diziam para ela ir brincar.

 

By Cátia Inês

 

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