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“Segredo” um conto de Flávia Flor (Assaife)

A noite estava chuvosa. Na rua poucas pessoas atreviam-se a enfrentar o frio e a solidão. Vultos sombrios pareciam estar à espreita de uma presa.

Ouvia-se o uivo dos cães em uma sinfonia assustadora. De repente, passos são ouvidos, cada vez mais perto… São passadas fortes. Pela fresta de uma janela cujo vidro havia se partido alguém observa silenciosamente.

Começa a ouvir murmúrios que lentamente vou tornando-se inteligíveis.

– “Por…. você….. aquilo”

-“Você não deveria ter feito isso”.

– “Não deixei pistas, ninguém terá como descobrir”.

-“Você tem certeza de que não foi seguido?”

– “Absoluta. Guardaremos este segredo até à morte.”

-“O que fez com o equipamento utilizado?”

-“Foi totalmente destruído”.

-“Então estamos livres!”

– “Completamente”.

O observador apavora-se com o diálogo que vem acompanhado de risadas tenebrosas. Atônito fica indeciso no que fazer: continua a espreita? foge? busca ajuda?

Em sua indecisão, o tempo vai passando, apenas poucos segundos que parecem uma eternidade. Fecha os olhos tentando encontrar forças para encontrar a melhor alternativa. Respira vagarosamente para que sua presença não seja identificada.

Antes de abrir os olhos para mover-se, sente uma mão tocar seus ombros, um calafrio percorre seu corpo fazendo-o estremecer…

– “Aqui está você!” Diz a voz firmemente.

Ele permanece sem abrir os olhos e completamente estático, o medo o domina completamente.

-“Sabia que o encontraria aqui”.

Silêncio absoluto. Os pingos da chuva soam como bombas que explodem em um barulho absurdo ao tocar o chão.

Rapidamente um filme passa em sua mente, lembra-se dos momentos especiais, dos erros e acertos. Havia sido descoberto. Era o fim.

-“Ande, abra os olhos”. Ordena a voz impaciente.

Sem alternativas, abre os olhos e grita:

– “Poxa vida, você estragou a brincadeira de novo, logo na parte melhor em que eu iria descobrir o segredo…”

– “Pode sair galera, a chata da Anita atacou novamente”. Outra voz esbraveja atrás do armário.

Anita, sua irmã, o olha com ar de reprovação, balança a cabeça, dá um suspiro, levanta os ombros e pensa: “Crianças… Quanta imaginação…”

By Flávia Flor (Assaife)

One thought on ““Segredo” um conto de Flávia Flor (Assaife)

  1. Suave mas bonito.
    Não chega a ser intrigante, mas a desenvoltura da autora, cria um dinamismo de leitura rompante.
    E sim, por experiência própria posso dizer que as crianças sempre nos surpreendem na sua mente imaginativa.
    Parabens

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