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“Lúcifer” , 3º Capítulo (último) – Parte 2 de autoria de Mefistus

Mais perto do que Jesus calculara, sob as margens do Tejo estendido, Lúcifer havia abandonado o seu reino e castelo, com medo de represálias dos Reinos dos Céus. Drácula falhara, ele falhara uma vez mais.
Pior, deixara de receber projecções mentais da Arca. Provavelmente fora destruída. E se ele não recebia, então Satanás também não recebia. Iria perceber que a Arca fora destruída e viria à procura dele.
Já não adiantaria invocar outro ser ou demónio, estando a Arca destruída. E ademais, não via quem pudesse enfrentar Satanás.
Desolado olhou os Demónios que restavam e inconsolável, compreendeu que precisaria de tempo até reunir outro número de seres Maléficos.
Pela primeira vez, nesta Eternidade, não possuía nenhuma carta escondida na manga. Nenhum Trunfo escondido.
O seu único plano era este. Permanecer escondido, evitando ser visto, até um dia em uma altura, em que devidamente apetrechado de Guerreiros, invadisse de novo o Reino do Sétimo céu.

Como qualquer criança, Diogo não podia esperar. Durante todo esse dia meditou nas palavras de Jesus e ainda achando que tinha sonhado, depois do almoço, chamou Carlos, o seu amigo, contou-lhe a história e subindo ao quarto, mostrou-lhe o Cristal. Claro que ele foi o único a ver e ouvir, já Carlos limitou-se a olhar um pedaço de Cristal simples. parado e inerte, numa base de prata.
Diogo, lembrara-se do que Jesus lhe havia dito. E recordava-se bem do que a sua mãe sempre lhe dissera. “A melhor maneira de encontrar algo, é não procurar!”.
Numa grande tentativa e com uma confiança ilimitada, acedeu ao Cristal e com a voz mais serena deste Mundo, disse:
-Onde estás, Lúcifer?
A luz do Cristal se extingui e por segundos ficou assim. Parado, sem revelar absolutamente nada.
Não desistindo, o miúdo voltou a inquirir:
-Onde estás, Lúcifer?
Um silêncio sepulcral invadiu o quarto. Carlos ria, com a atitude do amigo e ia dizer alguma piada, quando o Cristal se acendeu e um foco de luz forte atingiu Diogo, para logo depois se apagar.
Sem compreender o que havia acontecido, depois do fumo levantar, Carlos procurou o amigo, não o encontrou.
Nesse mesmo instante, No reino do Sétimo Céu, Jesus recebeu o alarme. Nunca tal havia acontecido, e prontamente, num gesto feito com a mão, surgiu na parede do Trono, a imagem de Diogo e Carlos. E Diogo a desaparecer. Para logo de seguida, surgir em baixo, em letras vermelhas, o destino.
Erguendo-se, da cadeira à direita do Pai, encarou os seus súbditos e ordenou:
-Sabemos onde está Lúcifer. Ás armas! Não sei como, mas o Guardião encontrou-o. Balthazar, também tu irás conosco. Vamos, vamos sem demora.
Estava Lúcifer meditativo, quando após um Clarão Diogo surgiu na sua presença:
Atónito por tal presença, Lúcifer ergue-se e após contemplar o estranho, inquiriu:
-Quem és?
-Eu sou o Diogo
-Quem?
-O Diogo.De Lisboa e venho te prender.
Por uns segundos, Lúcifer pareceu baralhado, depois retorquiu, sorrindo:
-Ouve pirralho, não sei como entras-te aqui. Mas pira-te. Estou ocupado!
-Lúcifer, não volto a repetir. Estás preso, em nome de Jesus Cristo
-Sabes quem sou? Ah,Ah,Ah, agora Jesus manda crianças fazerem trabalho de adulto?
Abrindo os braços, imitando a imagem que vira no Cristal, Diogo proferiu a frase que ouvira:
-Sonolenta Capriccio Dem Dei!
Lúcifer continuava a rir e ouvindo a frase, mais riu.:
-Nem sabes que dizes. Que raio de língua é essa….Inventas-te agora?
-Não…é que eu achei que era assim, só se for..
-Basta! Não tenho tempo para crianças. Se foi “Ele” quem te enviou, irá se arrepender!
Ergueu o indicador na direcção da criança, quando subitamente, um clarão irrompeu no quarto e encarando Lúcifer,Jesus proferiu:
-Parado! Como rezavam, as escrituras por coração puro serás encontrado e derrotado.
Ao verem todos os anjos surgindo, as Hostes negras restantes lançaram-se sobre os invasores, numa azáfama guerreira, enquanto Jesus petrificava o demónio.
Quase instintivamente, o pequeno Diogo rezando o ” Pai Nosso”, tocou no peito da criatura de Pedra. Um grito ecoou por toda a Terra, criando milhares de Tsunamis, tremores de Terra e provocando as Iras de Insectos que invadiam todas as cidades humanas.
Como que esperando essa reacção , Balthazar e Miguel voaram pelas cidades infestadas, dizimando as pragas, com um sorriso de satisfação pelo facto de Diogo ter despoletado o fim de Lúcifer.

By Mefistus

4 thoughts on ““Lúcifer” , 3º Capítulo (último) – Parte 2 de autoria de Mefistus

  1. Ao verem todos os anjos surgindo, as Hostes negras restantes lançaram-se sobre os invasores, numa azáfama guerreira, enquanto Jesus petrificava o demónio.

    Ler-te é ser catapultada para outros dominios metafísicos, onde os anjos agem e os inimigos fraquejam.
    Ler-te é sonhar alto, num divagar constante.
    Parabens

  2. Para não ser repetitiva, digo apenas que o conto prossegue interessamte e cheio de vida.
    As causas naturais e intempéries anunciam um´final de conto potente.
    Bem estruturado e maravilhosamente sonhado, este conto.
    Parebens.

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