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Crónica -“O Que É Normal ” de Flávia Flor (Assaife)

Dia destes estava observando como a humanidade se habitua as situações rapidamente. Veja só: hoje é normal andar pelas ruas e não enxergar os pedintes caídos pelo chão, os menores abandonados pelos sinais, até porque, também é normal imaginar que eles irão tentar nos assaltar…

É normal andar de metrô ou ônibus cheios, lotados mesmo, onde somos esmagados, empurrados, quase pisoteados… O anormal é quando os mesmos estão vazios com lugares sobrando para que todos possam viajar acomodados e tranquilos.

É normal os adolescentes passarem o dia e a noite em frente ao computador, nos sites de relacionamentos, msn, skype ou mesmo falando ao celular, afinal, muitos pensam: pelo menos estão em casa! Que engano! Hoje também é normal as exposições dos jovens na net; os pedófilos, as brigas de gangues… Tudo perfeitamente normal! Faz parte do contexto.

Ídolos que viram bandidos; filhos que assassinam os pais; pais que espancam os filhos; adolescentes com pouca ou sem nenhuma educação… tudo normal!

Normal não ceder lugar aos idosos, as gestantes ou as mães com crianças de colo, mais fácil simular a soneca para justificar nossa falta de educação e civilidade.

E os casamentos? O normal é durar no máximo 10 anos, depois a moda é ser separado… O anormal são as relações duradouras acima dos 10 anos e as com 20 e mais… quase em extinção… Normal…

Também é normal alunos desrespeitando professores; com armas verbais e de fogo em punho. Policiais que são criminosos, homens que espancam mulheres, mães que maltratam os filhos… Tudo dentro da normalidade.

Parece-me que o conceito de normalidade contido nos melhores dicionários está ganhando novo significado na nova língua da humanidade onde o que conta é o individualismo, o egoísmo e o egocentrismo, afinal, isto é normal!

É normal trabalhar nos finais de semana, trocar a família pelo escritório, o papo com os filhos pelo “happy hour” com os colegas… anormal é quem não possui esta postura e procura cultivar velhos hábitos…

É normal entregar a educação dos filhos para teceiros, afinal estamos trabalhando para lhes proporcionar o melhor, que, normalmente, não é a nossa companhia ou o nosso carinho. Ora, ora, nada de anormal em tudo isto! A humanidade é sã e normal em sua própria utopia!

By Flávia Flor (Assaife)

4 thoughts on “Crónica -“O Que É Normal ” de Flávia Flor (Assaife)

  1. Olá Cândida, de fato a reflexão foi sobre como a sociedade se comporta diante de situações trazidas pela modernidade que podem ou não ser melhorias para a vida de cada um de nós. A visão de cada um é pessoal e, ao meu ver, aí está a beleza da humanidade, poder pensar, agir e reagir conforme seus valores de vida.

    Muito obrigada pela leitura e comentário.

    Flávia Flor

  2. Venho a acompanhar este blog há pouco tempo , e acho fantástico estes textos, em especial este que põe a nu a nossa sociedade e a sua inércia perante tudo.
    Parabéns pela iniciativa !

  3. É normal tal pensamento hoje em dia? A autora Flor aponta para uma sucessão de factos que se verificam hoje em dia e segundo acredito possa ser derivado de um comodismo que a todos afeta.
    Particularmente a passagem interessante, de termos as crianças em casa, agarradas a jogos e Pc`s, achando na nossa inocencia que estão protegidos. Protegemos demais o que é nosso e voltamos ao tempo das cavernas com medo do que possa existir fora de portas. Homem moderno, onde?

    • Lurdes, obrigada por tua leitura e comentário. Penso que a modernidade nos proporciona coisas boas e situações de novos riscos. Alguns os enfrentam de peito aberto, por vezes, sem medir consequências de suas escolhas e por isto, podem sofrer perdas irreparáveis. Outros são mais comedidos e conseguem uma adaptação em equilibrio, e, ainda temos àqueles que não suportam mudanças e por isto continuam vivendo como se o futuro nunca houvesse chegado. Esta escolha é individual de cada um de nós. Minha reflexão neste texto é que, hoje em dia, há muita confusão entre o que é considerado normal e o que não é, afinal, o que é considerado bom para uns, pode não ser para outros, tudo depende da forma de olhar, de analisar, do conjunto de valores que servem de base para nossa própria vida. A modernidade, para mim, continua sendo relativa, por que em momentos a aceitamos e em outros a rejeitamos, conforme nossa própria conveniência e, ainda, deixamos de perceber situações do dia-a-dia que parecem rotineiras, casuais… normais…
      abraços

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