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I’ll Always be Right There- 6º Capítulo

No dia seguinte tinha acordado com uma enorme dor nas costas, devido ao local não ser o mais confortável. E entretanto acabei por pedir para que arranjassem umas moedas para ir a uma cabine telefónica para telefonar para casa.

–    Annie, que bom ouvir a tua voz está tudo bem?

–    Sarah, onde estás? Sim já está tudo bem. Ontem acabou por acontecer uma situação esquisita no final de tudo.

–    Eu adormeci na estação de camionetas. Mas diz-me só o que se passou antes de desligares.

–    Um dos assaltantes virou-se contra o outro, matou-o e salvou-nos a todos.

–    Ah! A sério – perguntei-lhe demonstrando alguma excitação na voz.

–    Queres que te vá buscar?

–    Sim é melhor, pois ainda estou em camisa de noite.

Annie não tardou em aparecer e nós as duas fomos todo o caminho a trocar impressões sobre os acontecimentos da noite passada. Tentei fazer de despercebida todo o tempo em relação ao que tinha acontecido, era mais que certo que ninguém iria perceber o que me tinha acontecido naquela noite. Apesar de eu achar que Annie talvez fosse compreender, acabei por não lhe revelar nada, eu apenas tentei mostrar um ar de surpreendida sempre que ela tocava no assunto.

Já de volta a casa e de banho tomado, e com o sol já a pôr-se no horizonte, estirei-me na minha cama, fechei os olhos um pouco para descansar, e acabei por adormecer.

O domingo decorrera na sua normalidade e mais uma semana de aulas estava a chegar.

Mesmo com o toque do despertador, deixei-me estar mais alguns minutos debaixo dos cobertores e acabei novamente por adormecer. De repente sinto um choque, do embate de uma almofada na minha face.

–     Sarah, toca a acordar! Está na hora de sairmos para a universidade.

–    Tchii! Já?

–    Já viste as horas?

Respondendo negativamente dei por mim a preparar-me em dez minutos.

O trajecto de casa há universidade foi acompanhado por uma onda de pensamentos que me surgiam uns após os outros, em relação ao que tinha acontecido na noite anterior.

Aquele beijo que tivera daquele desconhecido não me saía da cabeça, e tinha ficado adorar, mas o facto de ele ser um assaltante fazia com que eu voltasse de novo a cair na realidade, e logo após surgia-me a ideia de que ele me tinha salvo, e aí eu voltava de novo a esboçar um enorme sorriso. A grande questão que me surgia e que sentia uma enorme necessidade de desvendar era: Quem era o detentor daqueles doces lábios, e será que ele se encontra perto de mim? Mas será que era capaz de conseguir responder a estas duas questões, pois não sabia.

Já na Universidade, o “melga” do rapaz da minha turma, pela primeira vez estava a evitar-me. E quem sentiu necessidade de ir atrás dele agora, fui eu.

–    Ei! Agora és tu que andas a fugir? – disse-lhe num tom jocoso enquanto o seguia.

–    Ah, desculpa não te vi!

–    Tem piada por mais que eu esteja escondida encontras-me sempre. Mas agora a sério, está tudo bem?

–    Está não te preocupes. Vais-me desculpar mas eu tenho de ir para a sala de aula. – disse-me mostrando-se um pouco tenso.

–    Mas já? ainda não tocou. Mas tu é que sabes.

Enquanto me interrogava porque estava ele a ter pela primeira vez esta atitude para comigo, fiquei a vê-lo desaparecer por entre o corredor. Havia ali qualquer coisa que ele me estava a esconder, ou talvez fosse apenas uma ideia minha.

Nas aulas reparei que ele mantinha-se muito calado, e que as suas pernas estavam sempre em movimento mostrando algum nervosismo. Mas já sabia que ele não me ía dizer o que se passava. Mas o que era certo é que ele não estava no seu estado normal, porque desde que o conhecera ele nunca foi assim, e de repente lembrei-me que no meio de toda a confusão que se sucedeu no fim de semana tinha esquecido de ir ter com ele no domingo, mas ele também não se tinha lembrado, ou pelo menos não tinha recebido algum telefonema a provar o contrário.

Tentando falar o mais baixo que consegui chamei por ele.

–    Oh…tu, pssst. Olha porque não apareceste ontem?

–    E não acredito! Mil desculpas, esqueci-me mesmo. – respondeu-me ele colocando a mão na cabeça.

–    Não faz mal eu também me esqueci e sinceramente não estava com muito apetite para ir.

De repente dou conta de que pairava um enorme silêncio na sala de aula.

–    Oh casalinho aí em cima! Têm a bondade de se retirar da sala de aula? – Perguntou o professor

–    Mas profe….- disse tentado desculpar-me

–    Por favor a porta já está aberta, e não foi por falta de aviso.

Eu nem acreditava que tinha sido expulsa da sala de aula. Acabei por fazer companhia ao rapaz da minha turma, e fomos sentar num banco que se encontrava numa das laterais da universidade. Fiquei completamente admirada à ausência de reacção e ao silêncio que o rapaz tinha feito durante todo o caminho.

–    Desculpa-me! – começou ele quebrando o silêncio

–    Quem tem de pedir desculpas aqui sou eu, a culpa foi toda minha.

–    Queres ir ao café? e assim tratámos daquilo que querias no domingo.

–    Ok, vamos. Também até tocar novamente, não fazemos nada aqui.

Não conhecia aquele café, mas era agradável lá estar, era perto da universidade, e passava boa música. Instalámo-nos numa das mesas no exterior do café e o rapaz não tardou a colocar o seu portátil em cima da mesa. Entretanto ele pediu dois cafés.

–    Ora bem era isto que eu queria que visses, para dares a tua opinião, se faz favor. – disse-me ele.

–    Então mostra aí – pedi-lhe enquanto olhava para ele com um ar interrogativo.

Ao passo em que ele vira um pouco o seu portátil para que nós víssemos em conjunto, senti que estava demasiado perto dele, e por segundos ficamos olhando nos olhos um do outro a uma curta distância.

–     Acho que era isso que o prof queria – interrompi eu desviando atenção dele para o portátil.

–     Eu espero mesmo bem que sim, deu imenso trabalho fazer esta apresentação.

–     Eu sei que se passa alguma coisa contigo, porque não queres falar sobre isso? – perguntei-lhe repentinamente sentindo que ele já esperava que eu fizesse essa pergunta.

–     Estou só preocupado com os estudos.

–    Tens a certeza que é só isso?

–     Sinceramente tenho. Mas podemos parar de falar sobre isso?

–     Ok, eu vou contar-te uma cena que me aconteceu este fim de semana e que nem vais acreditar.

–     A sério? conta lá. – pediu-me ele lançando um tímido sorriso.

–     A nossa república foi assaltada por três indivíduos  e um deles matou os outros dois para nos salvar. Que cena.

–     É mesmo surreal. – conclui ele.

–     Bem vou à casa de banho para regressarmos à Universidade.

–     Ok e eu vou pagar. Até já então.

–     Até já. respondeu-me ele.

By Susana Silva

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